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Contracepção de Emergência

As gravidezes não planeadas ocorrem em quase 2/3 das mulheres que utilizam um método contraceptivo. Isto deve-se, sobretudo, à falta de eficácia de alguns métodos e à não utilização correta do mesmo.

Comparação da eficácia entre diferentes métodos contraceptivos.

O que é a contracepção de emergência?

É um método de emergência que permite inibir ou atrasar a ovulação e, por isso, evitar que uma relação sexual não protegida ou mal protegida origine uma gravidez não desejada. Também pode impedir a fertilização ou impedir que o ovo se implante no útero e inicie a gravidez, dependendo da altura do ciclo menstrual é tomada a contracepção de emergência. Este método não interrompe uma gravidez que já se tenha iniciado (isto é, se o ovo estiver implantado no útero).

Em que condições pode ser utilizada?

A Contracepção de Emergência pode ser utilizada nas 72 horas que se seguem a uma relação sexual não protegida, se:

  • Não foi utilizado qualquer método contraceptivo;
  • Houve falha ou erro na utilização de um método contraceptivo (ex.: esquecimento de uma toma da pílula para alem do prazo máximo admitido);
  • Se o preservativo rompeu ou ficou retido na vagina;
  • Se houve falha no coito interrompido;
  • Se houve erro de calculo do período fértil;
  • Se o DIU se deslocou;
  • Em caso de relações sexuais forçadas (violação).

A Contracepção de Emergência deve ser utilizada como recurso excepcional, dado que:

  • Não previne a ocorrência de uma gravidez em todas as situações;
  • A sobre dosagem hormonal não é recomendável com uso regular;
  • Não pode substituir um contraceptivo regular;

Não é um método de interrupção da gravidez.

Não provoca aborto

A Contracepção de Emergência não é abortiva. Atua de varias formas para prevenir uma gravidez, consoante a altura do ciclo menstrual em que é tomada. Assim:

  • Pode impedir ou atrasar a ovulação (saída do óvulo do ovário da mulher);
  • Pode impedir a fertilização (encontro com o espermatozóide);
  • Pode impedir a implantação dum ovo na parede do útero, que corresponde segundo a ciência medica ao inicio da gravidez.

Se a mulher já estiver grávida, isto é se o ovo já estiver implantado no útero, a Contracepção de Emergência é totalmente ineficaz, embora não tenha qualquer efeito nocivo sobre o feto ou a gravidez.

Evita o aborto

A Contracepção de Emergência pode prevenir 3 a 4 gravidezes não desejadas. Evitando gravidezes reduz o recurso ao aborto.

Não protege das Doenças de Transmissão Sexual

A Contracepção de Emergência não protege das Doenças de Transmissão Sexual (DTS). Por isso, deve utilizar-se sempre preservativo, simultaneamente, para prevenir uma gravidez e uma DTS.

Não é um método de uso frequente

A Contracepção de Emergência pode ter efeitos desagradáveis, incluindo náuseas e vómitos. Algumas mulheres também referem dores de cabeça, tensão mamaria ou retenção liquida. Embora todos estes efeitos não tenham qualquer gravidade sob o ponto de vista medico, desencorajam a utilização repetida da Contracepção de Emergência como contracepção habitual.

A Contracepção de Emergência é também menos eficaz para prevenir uma gravidez e é mais cara do que a maior parte das formas habituais de contracepção habitual.

Onde está disponível a Contracepção de Emergência?

  • Centros de Saúde
  • Consultas de Planeamento Familiar
  • Serviços de Urgência
  • Farmácias

Que opções de Contracepção de Emergência?

Atualmente existem no mercado duas opções para a contracepção de emergência, embora somente uma delas seja  de medicamento não sujeito a receita medica.

 

O TETRAGYNON da Schering é a opção mais antiga mas, sujeita a receita medica, podendo ser dada nos centros de saúde. É uma embalagem com quatro comprimidos com a composição por comprimido:

Levonorgestrel

     0,250mg

Etinilestradiol

     0,050mg

Modo de administração:

O tratamento consiste na toma de dois comprimidos logo que possível após a relação desprotegida e no máximo 72 horas após. Os outros dois comprimidos devem ser tomados 12 horas após a primeira toma.

Efeitos secundários:

Náuseas, vómitos, perturbações do ciclo menstrual, tensão mamaria. Em casos excepcionais observaram-se acidentes venosos ou arteriais (flebite, embolia pulmonar, acidente vascular cerebral) e por isso é contra-indicado em pessoas com antecedentes de problemas venosos ou arteriais e alterações do sistema de coagulação.

Advertências:

Este tratamento só é eficaz para a relação sexual em causa e não para anteriores ou posteriores.

Se vomitar nas primeiras 2 horas deverá tomar imediatamente os outros dois comprimidos.

Habitualmente a menstruação surge na altura prevista ou com uma pequena alteração. Se surgir um fluxo anormal ou atraso de mais de 5 dias deverá efetuar-se um teste de gravidez.

É indispensável que este tratamento seja prescrito por um medico, que verificará a ausência de contra-indicações.

Depois de utilizado deverá haver precauções noutras relações. Não é aconselhado vários tratamentos durante o mesmo ciclo, pois implica uma alta dose hormonal que pode desequilibrar os ciclos menstruais e aumentar os efeitos secundários.

O LEVONELLE da Schering e o NORLEVO da Fargin são de venda sem receita medica. Apresentam-se em embalagens com dois comprimidos contendo cada um:

Levonorgestrel

   0,750mg

Modo de administração:

O tratamento consiste na toma de dois comprimidos, que devem ser tomados juntos. A eficácia é maior nas primeiras 24 horas e não deve ser tomado 72 horas após.

Efeitos secundários:

Náuseas, vómitos, vertigens, falta de forças, dores de cabeça, dor abdominal, tensão mamaria e hemorragia vaginal.

Advertências:

Se vomitar nas primeiras 2 horas deverá tomar imediatamente outro comprimido.

Habitualmente a menstruação surge na altura prevista ou com uma pequena alteração. Se surgir um fluxo anormal ou atraso de mais de 5 dias deverá efetuar-se um teste de gravidez.

 

O ELLAONE dos Laboratórios HRA Pharma é de venda exclusiva por receita médica e é o mais recente avanço na contracepção de emergência.

Acetato de Ulipristal

   30mg

Modo de administração:

O tratamento consiste na toma de um comprimido até às 120 horas (5 dias) após a relação sexual.

Efeitos secundários:

Perturbações do humor, dor de cabeça, tonturas, náuseas, dor abdominal, desconforto abdominal, vómitos, mialgia, lombalgia, dismenorreia, dor pélvica, sensibilidade mamária e fadiga. Outros efeitos são pouco frequentes ou raros.

Advertências:

Se vomitar nas primeiras 3 horas deverá tomar-se outro comprimido.

É contra-indicado em caso de alergia à substância e em caso de gravidez, pelo que deve ser prescrita por um médico.

Não existem muitos estudos em mulheres com idade inferior a 18 anos.

Sugestões

  • Se não deseja uma gravidez, não deve ter relações sexuais não protegidas. Deve usar sempre um método contraceptivo;
  • Deve ir anualmente ao medico de família, ginecologista ou consulta de planeamento familiar;
  • Se houver duvidas quanto ao método utilizado não deve ser interrompido sem o conselho se um técnico;
  • Se estiver a tomar outros medicamentos deve informe-se sobre possíveis interações;
  • Os pais de adolescentes devem procurar informar os filhos sobre a contracepção;
  • A responsabilidade da contracepção é do casal e não somente da mulher.

Para mais informações dirija-se:

Ao Centro de Saúde e consulte o médico de família;

À Farmácia;

Telefone para uma das linhas de apoio:
"Sexualidade em Linha" 800 222 003
"Linha da Sexualidade Segura" 800 202 120

APF (Associação para o Planeamento da Família)

http://www.apf.pt

21 388 89 01
22 200 17 98

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Página da autoria de Laurentino Moreira (farmacêutico) - Última atualização em 08-out-2015